Como lidar com a ansiedade na pandemia

Mais do que apenas os danos físicos que provocou, a pandemia do coronavírus também afetou a saúde mental dos portugueses. De acordo com um estudo de opinião realizado pela Aximage para o Jornal de Notícias e para a TSF, 55% dos inquiridos disseram ter sofrido um impacto grande ou muito grande na saúde e no bem-estar emocional (mulheres, na maioria dos casos) e 21% afirmaram preocupar-se com esta questão. Apesar dos números preocupantes, a procura por apoio profissional foi baixa: apenas 11% dos portugueses procuraram ajuda médica ou psicológica e 15% não o fizeram, apesar de terem sentido necessidade.

 

O estudo não detalhou os distúrbios mentais a que os portugueses se referiam, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou recentemente um fenómeno relacionado com o desgaste emocional provocado pelo vírus, denominado de “fadiga pandémica”. Trata-se, na verdade, de uma extrema desmotivação, um sentimento de exaustão com tudo o que está relacionado com a COVID-19, que pode provocar uma sensação de impotência perante o vírus e estados de ansiedade, entre outros problemas. 

 

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) afirma ser expectável sentir ansiedade, além de medo, preocupação, tensão e falta de controlo, perante a atual situação pandémica que o mundo vive. Mas alerta que tais sentimentos, apesar de desagradáveis, têm a importante função de proteger-nos.

 

“Quando nos sentimos em estado de alerta ou ameaçados, ficamos mais vigilantes e mais disponíveis para adoptar comportamentos de protecção e adaptar-nos à situação de modo a promover a nossa segurança (e a dos outros)”, afirma a OPP no seu manual COVID-19 – 3 passos para lidar com a ansiedade.

 

Ainda de acordo com a OPP, sentir ansiedade não deve ser motivo de vergonha, culpa ou sensação de fraqueza ou inferioridade. É um sentimento natural do indivíduo, que o acompanha desde tempos remotos, quando era preciso estar constantemente em alerta e em busca de alimentos.

 

Os sintomas de uma crise de ansiedade variam, do ponto de vista físico, entre batimento cardíaco acelerado, náuseas e vómitos, vontade de ir à casa de banho, dificuldade em dormir, sensação de “borboletas no estômago”, tensão muscular, sensação de “bola na garganta”, aperto no peito e dor de cabeça. Mentalmente, a ansiedade afeta a concentração, aumenta a irritabilidade e o nervosismo e deixa o indivíduo mais alerta e receoso, com pensamentos repetitivos e negativos que dificultam o relaxamento.

 

Há várias maneiras de lidar com a ansiedade. Praticar exercício físico regularmente, treinar respirações lentas e profundas e realizar atividades prazerosas são algumas delas. Mas há outras, como concentrar-se no aqui e agora, partilhar os sentimentos com familiares e amigos e tentar ser mais positivo ao analisar os acontecimentos dentro e fora de casa. Na hora de informar-se sobre a pandemia, faça-o uma ou duas vezes por dia, no máximo, e apenas através de fontes oficiais como a DGS, a OMS e a OPP.

 

Porém, a ansiedade, em alguns casos, pode ser incapacitante. É aconselhável procurar ajuda profissional quando os pensamentos são excessivos e persistentes e os sentimentos de ansiedade e de descontrolo se prolongam por longos períodos e atrapalham a rotina diária. 

 

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